A imagem dos 60+ vem mudando e se adaptando a novas realidades. Hoje este segmento é diverso e precisa ser visto sempre no plural. Há de tudo um pouco. Gente que vestiu o pijama e se aposentou da vida, pessoas que descobriram novos interesses, homens e mulheres maduros em plena forma física e outros com a saúde comprometida.
Dia desses vi o documentário “Os Novos Velhos”, dirigido por Dede Fedrizzi. A produção fala a respeito de longevidade e conta com o depoimento de várias pessoas que já passaram dos 60 anos. É uma mostra heterogênea que vai da atriz Maitê Proença, ao piloto de motovelocidade Luiz Cerciari.
Ainda que o documentário reúna, em sua maioria, profissionais da área das artes e esportes, é interessante observar o aprendizado de cada um e como eles estão lidando com a aproximação da velhice. Eles relatam os ganhos e limitações trazidos pela idade. A proposta é justamente apresentar pessoas que têm uma boa relação com o amadurecimento e que, dessa forma, possam estimular a reflexão sobre o verdadeiro significado deste período da vida.
Cada um dos entrevistados do documentário, a seu modo, reconhece a sabedoria que o tempo traz. Maitê Proença acredita que depois dos 60 anos conseguiu se desfazer das muitas camadas que a sua personalidade adquiriu ao longo da vida. Hoje ela se vê mais autêntica e corajosa. Corrobora para essa ideia, a frase da cenógrafa Patricia Pagano, ao dizer que “o pior cego é aquele que não quer que os outros vejam”. Assim, esconder sua natureza/opiniões/sentimentos para agradar o outro é dos piores caminhos que alguém pode tomar na vida, não importa a idade.
O velejador Beto Pandiani, destaca que viver com um propósito é fundamental para encontrar vitalidade e seguir adiante. Ele não é o único a pensar assim. Maria Eugenia Cerqueira, corredora de maratonas, diz que é preciso buscar novos interesses e desafios.
Observar como algumas pessoas vem envelhecendo com saúde, mental e física, é importante porque até bem pouco tempo atrás os modelos de idosos eram bem restritos. Para a mulher, restava o papel da avó que cuidava dos netos. Já o homem, era o tiozão (sem noção) que não consegue acompanhar as transformações pelas quais o mundo passa constantemente.
Hoje os tempos são outros e o documentário mostra a cara de alguns desses “novos velhos”. Envelhecer passou a ser um processo contínuo de se reinventar.
Sempre me recordo de uma conversa que ouvi quando criança. À época fui comprar alguma coisa em um armazém. Uma cliente estava conversando com o atendente e disse estar com pressa porque tinha aula, estava aprendendo a ler e escrever. Ela já deveria ter uns 60 anos, o que nos anos 70 indicava que era muito velha. O funcionário insensível provocou: “Mas dona Maria, a senhora está estudando no fim da vida, para quê?” Ela, do alto de sua sabedoria, respondeu: “Eu estudo porque posso morrer amanhã, mas morro sabida”.
É esta sede de aprender, de conhecer, de se interessar pelo novo que nos transforma e opera mudanças fundamentais em nossa vida. Acredito que a curiosidade da dona Maria é que pavimenta o caminho para um envelhecimento saudável, assim como tem mostrado os “novos velhos”.





