Você 60+: Não espere ficar doente para mudar de estilo de vida

Você, 60+, presta atenção à sua saúde? 

Meus pais descobriram que tinham Diabetes tipo 2 por volta dos 60 anos. Eu já não morava mais com eles, mas ficava de olho no comportamento dos dois. De nada adiantaram as recomendações médicas, muito menos as minhas inúmeras broncas. Eles seguiram a vida como se não houvesse amanhã, sem qualquer cuidado especial.

A doença logo começou a apresentar suas consequências mais perversas. Ambos tiveram retinopatia diabética que foi se instalando de forma discreta. Primeiramente a vista embaçada, até a perda quase total da visão. Mas não foram os únicos problemas. Vieram depois as complicações renais e vasculares.

Eu ficava irritado com a displicência dos meus pais. Porém, percebi que eles não eram exceção. A maioria das pessoas, quinze anos atrás, não dava muita importância para o Diabetes, até que a doença se manifestasse de forma mais agressiva. Não via o assunto ser comentado em programas de TV ou nas emissoras de rádio. Eram raras as iniciativas de esclarecimento da população.

Via programas de culinária enchendo os olhos dos expectadores com receitas super-mega-ultra-doces, patrocinados por indústrias alimentícias com produtos lotados de açúcar e de baixa qualidade. Deu no que deu. O diabetes se tornou quase uma epidemia.

Cerca de 17 milhões de brasileiros convivem com a doença, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes. A maioria, 90%, tem o Diabetes tipo 2, quando o organismo não consegue usar adequadamente a insulina que produz ou não produz insulina o suficiente para controlar a taxa de glicose. Fatores de risco como a obesidade, a dieta não saudável e a falta de atividade física alavancaram o número de casos.

Os maus hábitos fizeram com que o Diabetes tipo 2, que aparecia normalmente entre adultos e depois dos 40 anos, passasse a se manifestar mais frequentemente entre crianças e adolescentes.

Hoje o convívio com o Diabetes está muito mais tranquilo, o que não diminui a gravidade da doença. As canetas de insulina substituíram as picadas com agulhas, os sensores (ainda que caros) diminuíram o sofrimento de quem precisa medir o nível de glicose quatro vezes, ou mais, diariamente.

Há exemplos de atletas ou pessoas comuns que adotaram os cuidados com a doença e seguem a vida sem problema. Um dos casos mais emblemáticos é o de Carmen Wills que completou 94 anos e foi diagnosticada com a doença em 1950. É a mulher mais velha do país a conviver com o Diabetes. Em todo esse tempo Carmen seguiu as recomendações médicas, cuidou da alimentação e fez exercícios físicos.

No dia Mundial do Diabetes (14.11) li várias  notícias a respeito da doença. Uma delas alertava que antes de adquirir a doença, todo paciente passa pela fase pré-diabetes. Os níveis de açúcar no sangue estão acima do normal, mas não o suficiente para o diagnóstico de Diabetes tipo 2. Os médicos afirmam que nesse estágio a situação pode ser revertida. Para isso, basta controlar o peso, cuidar da alimentação e praticar exercícios físicos, como fez a dona Carmen Wills.

Não se trata de uma mudança de comportamento até o próximo exame, mas a adoção de um outro estilo de vida. Uma receita simples que só exige um pouco de disciplina e que vai influenciar toda a vida quando não tivermos mais nossos vinte anos.

O que você está fazendo pela sua saúde?

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Roberto Junior Monteiro, 63 anos, é jornalista e atua em jornalismo rural. Seus interesses passeiam por áreas diversas: Botânica, Cinema, Yoga, Meditação, Música, Desenho e Línguas. Ultimamente tem se dedicado a refletir sobre os desafios do envelhecimento.E-mail: rjrmonteiro@hotmail.com

* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

 

 

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