Viver Bem 60+: Amigos fazem bem à saúde

Quando a Covid 19 se espalhou pelo mundo fomos obrigados a nos isolar, a evitar aglomerações e a restringir os contatos sociais. Foi um período difícil e logo surgiu quem dissesse que sairíamos da pandemia um pouco melhores, valorizando e incentivando a socialização. O mundo pós-Covid 19 seria um pouco mais humanista.

Mas não foi dessa vez que aprendemos a lição. Passado o susto, continuamos os mesmos. Voltamos aos velhos hábitos viciados de sempre, agindo “como nossos pais” como critica a canção de Belchior. No entanto, não dá para negar que a Covid 19 mostrou o quanto a saúde mental das pessoas é frágil. Sem dúvida alguma a existência, ou não, de uma rede de apoio fez muita diferença na forma como cada indivíduo enfrentou a pandemia.

Se isso vale para um período crítico, imagine para uma vida inteira. Daí a importância das relações sociais, especialmente para quem está envelhecendo. Quando jovens, faltam-nos dedos para enumerar nossos amigos. Afinal, temos a turma da escola, do clube, do futebol, do trabalho. Porém, com o passar dos anos, esses amigos vão rareando. Se conseguimos uns cinco já está de bom tamanho.

E os amigos?

Uma rede de apoio não vem do dia para a noite. Ela é construída ao longo de uma vida. Mayana Zatz e Martha San Juan França, autoras do livro “O Legado dos Genes”, lembram que envelhecemos como vivemos, nem melhor nem pior. “É provável que um jovem sociável, afável, criativo não vá se transformar num velho ranzinza, mesquinho e conformista. Não existe velho chato, mas pessoas chatas”, ressaltam. Sinal amarelo para muita gente!

Dráuzio Varella, médico reconhecido pelo trabalho que desenvolve em diversas frentes (TV, internet, jornais e rádios) para levar ao público informações sobre saúde, acredita que ter amigos é uma forma de cuidar do próprio bem estar. “Sem o suporte de pessoas em quem a gente confia, surgem sentimentos como ansiedade, insegurança e medo que afetam diretamente a saúde mental e física. A solidão pode acelerar o declínio cognitivo e aumentar o risco de demência”, ensina.

O prejuízo do isolamento social não para por aí. Dráuzio Varella afirma que o estresse constante de quem vive sozinho contribui para o surgimento de doenças cardio-vasculares e para o sedentarismo, pois sem contato social a pessoa fica muito tempo ociosa dentro de casa. “O sono também pode ser afetado por causa dos pensamentos incessantes ou da falta de atividade no dia a dia”, observa. Sem um sono reparador, a pessoa está fadada a desenvolver problemas de saúde.

Vale ressaltar que essa análise leva em conta o isolamento social excessivo e não o caso de quem, às vezes, opta por ficar em casa num sábado à noite, em vez de ir para uma festa. Também não se trata de ter amigos a qualquer preço, pois relações tóxicas fazem mais mal do que bem. Nossa tarefa é investir em relações verdadeiras e de qualidade, que nos mantenham conectados ao nosso tempo. Portanto, bora chamar um amigo para um café, um cinema ou um boteco. É sua “vacina” para não se transformar, futuramente, num velho chato.

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Roberto Junior Monteiro, 63 anos, é jornalista e atua em jornalismo rural. Seus interesses passeiam por áreas diversas: Botânica, Cinema, Yoga, Meditação, Música, Desenho e Línguas. Ultimamente tem se dedicado a refletir sobre os desafios do envelhecimento.E-mail: rjrmonteiro@hotmail.com

* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

 

 

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