De olho nos acidentes domésticos

Minha mãe viveu até os 86 anos. Durante boa parte desse tempo ela teve uma boa vida, realizou muitos dos seus desejos e não acumulou frustrações. Mesmo tendo Diabetes tipo 2, viveu tranquilamente. No entanto, um fato foi decisivo e marcou o início do seu declínio físico. Ela já estava com quase com 70 anos quando sofreu uma queda e fraturou o fêmur. Depois de duas cirurgias, ela ficou estável, mas nunca recuperou 100% da sua capacidade de andar.

Não se trata de um caso isolado. Quedas e fraturas, muitas vezes em acidentes domésticos, são muito comuns entre pessoas idosas. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde) cerca de 28% a 35% das pessoas com 65 anos, ou mais, caem a cada ano. Na faixa etária acima dos 70, o número sobe para algo entre 32% e 42%.

Para quem já passou dos 60 anos, as quedas são especialmente traumáticas. As transformações físicas, naturais do envelhecimento, dificultam a recuperação do paciente. Daí a necessidade de cuidados em casa ou durante uma caminhada. Subir em bancos, usar calçados com solado sem aderência ou usar tapetes em casa são fatores que aumentam as chances de quedas. E nunca sabemos exatamente como cair. A menos que você esteja treinado para isso.

Evitando acidentes domésticos

Já existem iniciativas de treinar idosos em lutas marciais para que a pessoa ganhe mais tônus muscular e aprenda a cair, evitando fraturas graves.  Obviamente não é todo mundo que se adapta a esse treinamento. Porém, é possível conseguir força muscular e equilíbrio com outros exercícios.

O problema é tão grave que existe até mesmo o PrevQuedas Brasil (www.prevquedasbrasil.com.br)  um grupo de pesquisa multidisciplinar que reúne profissionais de diversas áreas para ampliar o conhecimento científico e contribuir para a criação de políticas públicas em prevenção e manejo de quedas em idosos.

Mesmo quem goza de saúde e está vivendo a maturidade com autonomia, precisa dar mais atenção a detalhes que podem evitar acidentes durante o dia a dia. Sou do time dos “distraídos venceremos”, mas aprendi a focar numa tarefa de cada vez, assim evito sair de casa pensando se desliguei o fogão ou se deixei a janela aberta. Mas vivo esquecendo as chaves e celular.

Os especialistas dizem que uma boa organização da nossa casa diminui, consideravelmente, a chance de acidentes domésticos. Algumas dicas são pertinentes como evitar prateleiras e móveis altos, eliminar barreiras que dificultem o deslocamento em casa, organizar e identificar medicamentos (descartar periodicamente o que estiver vencido), além de instalar barras de segurança e tapetes antiderrapantes no box do banheiro.

Minha mãe foi uma pessoa admirável e até nos defeitos me ensinou em que eu poderia melhorar.  Durante o convívio, percebi que em vez de se adaptar a suas limitações, ela simplesmente as negava. Foi preciso muita conversa para que usasse uma bengala. Ela resistiu algum tempo para fazer qualquer atividade física e também não era muito amiga de tomar água. Pretendo ser o oposto dela, mas só nesses detalhes para melhorar minha condição de vida.

Hoje, tem por aí uma legião de “novos idosos” dispostos a viver a vida plenamente, mas para isso assumem o compromisso de abandonar velhos hábitos e adotar um estilo de vida mais saudável física e mentalmente. Aliás, saúde mental é outro assunto complexo (ou não?) na maturidade. Assunto para a próxima semana.

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Roberto Junior Monteiro, 63 anos, é jornalista e atua em jornalismo rural. Seus interesses passeiam por áreas diversas: Botânica, Cinema, Yoga, Meditação, Música, Desenho e Línguas. Ultimamente tem se dedicado a refletir sobre os desafios do envelhecimento.E-mail: rjrmonteiro@hotmail.com

* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

 

 

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