A imagem das pessoas “maduras” vem mudando à medida que a população envelhece e mais gente engrossa a faixa dos “experientes”. Ninguém mais quer ser o “idoso” que fica de pijama em casa ou se isola em sua casa. Hoje em dia, felizmente, os 60+, 70+ e 80+ têm alguma autonomia e continuam tentando manter uma vida ativa. Seriam eles os super idosos?
No fim de semana passado assisti a um programa de TV com três instituições da MPB: Caetano Veloso, Gilberto Gil e Nei Matogrosso. Todos eles na casa dos 80. A despeito dos cabelos brancos e dos gestos mais lentos, os três continuam cantando, compondo e fazendo turnês pelo Brasil, com uma energia que dá inveja em muita gente. Assisti aos shows de Caetano e Gil e foram emocionantes.
Eles mostram uma outra imagem dos octogenários. São pessoas que continuam seu ofício e desconstroem os estereótipos do que convencionaram chamar de idoso, de velho. Meus super-heróis agora são essas personalidades que continuam criativas, autônomas, pensantes, críticas. Eles estão longe também da ideia do “idoso bonzinho”, “bonitinho”, “palatável” que tanto agrada a sociedade em geral. Eles são, sobretudo, originais.
Há quem ache que eles sejam exceção, têm uma profissão menos apegada às convenções, mais ligada à criatividade, sem as amarras da rotina. Ainda assim, espero que eles sejam modelo para uma outra abordagem da maturidade ou velhice. Só mesmo uma investigação mais profunda sobre eles poderia indicar qual o segredo de tanta vitalidade.
Enquanto isso não chega, vamos fazendo a nossa parte. Mesmo com todo cuidado, às vezes a vida pode nos pregar surpresas só para mostrar que não estamos no controle. Já que é assim, o melhor a fazer é não contribuir para nosso adoecimento.
Super idosos e envelhecimento saudável
O cardiologista norte americano Eric Topol é um pesquisador a respeito do envelhecimento saudável. Ele e uma equipe de pesquisadores estudaram mais de 1.400 pessoas com 80 anos ou mais sem doenças crônicas graves. O objetivo era descobrir o que eles tinham de especial.
Eles concluíram, ao final das contas, que a participação dos genes era pequena. As pessoas estudadas tinham uma composição genética distinta, mas o que elas tinham em comum eram os hábitos. Entre as dicas do cardiologista estão: uma alimentação rica em produtos vegetais e proteína magra (sem ultra processados); ao menos sete horas de sono, importantes para o sistema glinfático que elimina produtos residuais do cérebro e, principalmente, exercícios físicos que vão fazer toda a diferença na vida futura.
Livro sobre os super idosos
Topol escreveu o livro Super agers: an evidence-based approach to longevity (Os super-velhos: uma abordagem da longevidade baseada em evidências) no qual apresentou o estudo e suas conclusões. Além de analisar os “super idosos”, Topol colocou em prática o que eles ensinaram e passou a fazer exercícios físicos o que melhorou, consideravelmente, sua saúde.
Topol afirma que as doenças degenerativas levam pelo menos 20 anos para se desenvolver. Então, se alguém mudar de estilo de vida aos 40, 50 ou depois dos 60 anos certamente vai ganhar alguns anos de envelhecimento saudável. Este parece ser o caminho das pedras (ou o caminho dos super idosos). Vamos lá!
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