Do Paraná à França: queijo é o sabor que conquista o mundo

Provar um queijo na França é como abrir um livro vivo de tradição. Cada pedaço revela séculos de saber-fazer, transmitidos de geração em geração. Durante a Missão Técnica Queijeira 2025, um grupo de brasileiros mergulhou nesse universo: das montanhas da Savoie às caves subterrâneas de Chambéry, descobrimos que o queijo vai muito além do prato — ele é memória, identidade e patrimônio cultural.

Foto: Luciana Matsuguma

O encanto começa nos bastidores. Em cooperativas como a de Beaufort, mais de 180 produtores entregam diariamente seu leite para dar origem a peças de 40 quilos que só ficam prontas após meses de maturação. Já em Arêches, conhecemos Caroline, ex-campeã de esqui que hoje dedica sua energia a cabras alpinas e queijos de sabor marcante. Histórias assim mostram como o queijo também se constrói na paixão das pessoas que vivem entre as montanhas, equilibrando tradição, trabalho e estilo de vida.

Foto: Luciana Matsuguma
Foto: Luciana Matsuguma
Foto: Luciana Matsuguma

Nas caves, o tempo é o grande maestro. Túneis que já foram abrigo de guerra ou depósito de gelo hoje guardam milhares de queijos em silêncio e umidade perfeitos. Ali, afinadores como Eric Mainbourg transformam a arte da cura em profissão respeitada, cuidando de cada peça como se fosse única. O ofício exige técnica, sensibilidade e uma dose de paciência que se sente no sabor final — um queijo curado carrega não apenas textura, mas também a marca do lugar onde repousou.

Les Caves D’Affinage de Savoie – Foto: Kadu Vidigal
Foto: Luciana Matsuguma
Foto: Luciana Matsuguma

O aprendizado vai além das técnicas. A França nos mostrou como a união entre produtores, curadores e comerciantes cria um sistema robusto, em que tradição e inovação caminham juntas. A cada visita, ficou claro que o valor do queijo não está só no produto final, mas na rede de pessoas que dão sentido a ele. São famílias que conduzem rebanhos nas montanhas, jovens que modernizam as queijarias, afinadores que preservam segredos ancestrais e chefs que transformam os queijos em estrelas da gastronomia.

E o Brasil também teve seu momento de brilho nesse cenário. No Mundial do Queijo na França, o país enviou mais de 300 queijos e trouxe para casa 58 medalhas — entre ouro, prata e bronze — um feito histórico que reafirma a força e a qualidade da nossa produção artesanal. O Paraná, em especial, levou 13 queijos e conquistou 7 medalhas, mostrando que o talento e a dedicação das famílias produtoras do estado estão à altura dos queijos no mundo. O Brasil brilhou muito na França, mostrando ao mundo que o nosso terroir e o nosso saber-fazer têm identidade, alma e excelência.

Foto: Luciana Matsuguma
Foto: Luciana Matsuguma
Foto: Luciana Matsuguma

E se cada queijo tem sua história na França, no Brasil não é diferente. A viagem nos inspirou a olhar para o Canastra, o Colonial, o Serrano e tantos outros com os mesmos olhos de respeito e encantamento. O terroir brasileiro é diverso e potente, e merece ser celebrado como parte viva da nossa identidade. Cada queijo brasileiro também é fruto de luta, de amor ao campo e de um jeito único de transformar leite em cultura.

Comer queijo, então, é muito mais do que se deliciar com um sabor: é curtir um pedaço de história que atravessa continentes e conecta pessoas. Seja numa cave francesa ou numa queijaria do interior do Paraná, o queijo é sempre convite a compartilhar memórias, descobrir novos mundos e brindar a vida com prazer.

Foto: Luciana Matsuguma

 

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Luciana Shizue Matsuguma é profissional no setor rural e apaixonada pelo mundo dos queijos. Integrante da Comissão organizadora do Prêmio Queijos do Paraná e membro da Guilde Fromage.

* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

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